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Neavi promove ações para aumento da produção de orgânicos no Vale do Itajaí PDF Imprimir E-mail

O Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica do Médio Vale do Itajaí (Neavi) do Câmpus Gaspar tem promovido um movimento na região para que produtores rurais, prefeituras e moradores repensem a forma de produção de alimentos e reduzam o uso de agrotóxicos. Um trabalho que vem sendo desenvolvido com recursos da chamada pública do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (Mctic), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Ministério da Educação (MEC) e Casa Civil por meio de edital do CNPq nº 21 de 2016. A proposta do Núcleo é traçar um diagnóstico sobre agroecologia na região, capacitar agricultores, desenvolver campanhas educativas, realizar eventos de agroecologia e estimular o desenvolvimento da agricultura urbana. “Usamos como base teórica para esta proposta a concepção de Félix Guattari, que é uma referência nas discussões sobre a ecosofia. O autor propõe uma outra forma de perceber a realidade em que precisamos reaprender que nós fazemos parte do ambiente, não nos enxergarmos como algo externo a ele”, explica a coordenadora do Neavi, Andrea Delwing.

 

 

Uma proposta que tem sido aplicada no curso de Formação Inicial Continuada (FIC) de “Multiplicadores de Tecnologias Socioambientais” que reúne alunos de Itajaí, Ibirama, Blumenau, Gaspar e Governador Celso Ramos. No curso, eles têm aulas sobre princípios da agroecologia, bioconstrução e economia solidária. “A ideia é que essas pessoas de diferentes lugares e de diferentes formações tenham este embasamento técnico, político e social para que eles consigam atuar da melhor forma nos seus empreendimentos, enquanto educadores sociais. No curso, abordamos muito as transformações que ocorreram nos últimos 50 a 60 anos, que nós denominamos de revolução verde. Um movimento que ganhou força a partir da segunda guerra mundial com o uso intensivo de máquinas, fertilizantes e agrotóxicos.”


O trabalho começou a ser realizado pelo Neavi no mês de abril com palestra sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) com o educador ambiental Alésio dos Santos e ganhou ainda mais força no Encontro Multicultural Agroecológico, promovido, no mês de maio, pelo Neavi em parceria com o projeto de extensão do Câmpus Gaspar “IFSC e arte urbana”, o curso superior de Processos Gerenciais e com o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) do Câmpus Gaspar. No evento, foram promovidas palestras sobre produção e cultivo de arroz orgânico com Donato Lucietti, coordenador estadual do Programa de Grãos da Epagri, e com o engenheiro agrônomo da prefeitura de Gaspar Henrique da Silva Pires sobre o projeto de cultivo de peixe orgânico. Gaspar é referência tanto no cultivo de arroz, produzindo cerca de 150 sacas de 50 quilos por hectare, e no cultivo de peixes, sendo o sexto maior produtor do estado, mas ainda uma pequena parcela desta produção é orgânica. “O mercado de orgânicos cresce em média 40% ao ano e no caso do peixe orgânico ele representa um cultivo de baixo custo e de baixo impacto ambiental. No método tradicional, mais de 70% dos custos da produção estão associados à ração para alimentação, o que não ocorre com o peixe orgânico que costuma se alimentar de outras plantas”, explica o engenheiro agrônomo da prefeitura de Gaspar Henrique da Silva Pires.


No Encontro também teve troca de sementes, feira de produtos orgânicos e exibição de documentário sobre alimentos agroecológicos. As alunas do Ensino Médio Técnico em Alimentos do Câmpus Canoinhas do IFSC apresentaram o vídeo que fizeram com a agricultora Iracy de Lara de Irinópolis. “Eu tenho alergia a agrotóxico e com a Iracy aprendi uma série de técnicas para produção de alimentos orgânicos. Ela produz morango orgânico e usa citronela e pó de basalto para espantar pragas como o pulgão”, explica a aluna Gabriele Fritsch, do Câmpus Canoinhas.


A agricultora Iracy de Lara, de Irinópolis, também participou do Encontro e falou da sua experiência enquanto guardiã de sementes e do empoderamento da mulher. No assentamento onde vive, ela é responsável por salvaguardar mais de 200 sementes. “É muito importante a divulgação da agroecologia porque mostra que mesmo dentro de um sistema capitalista é possível pensar em outras formas de relação dos diferentes setores da sociedade.”


O trabalho do Neavi também tem se estendido para promover ações em escolas como no Centro de Desenvolvimento Infantil (CDI) Sônia Gioconda Buzzi, em Gaspar, e para promover melhorias na própria infraestrutura do Câmpus. Alunos do curso FIC e servidores do Câmpus estão trabalhando para a construção de um telhado verde para o container onde está localizado o grêmio estudantil. Está sendo construída uma estrutura de bambu que será coberta com uma espécie de trepadeira, a thunbergia grandiflora. “A proposta é que a planta absorva os raios solares e, com isso, haja uma menor variação de temperatura no container”, explica o coordenador da atividade e integrante do Neavi Carlos Giovanni Ledra.



Por Beatrice Gonçalves / Jornalismo IFSC

 

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