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Um refúgio chamado Brasil PDF Imprimir E-mail

Foi a partir de uma demanda de empresários locais, que queriam contratar imigrantes haitianos, mas que sentiam a necessidade de que eles falassem Português, que o Câmpus Gaspar do IFSC abriu as portas da instituição para cursos voltados a estrangeiros. Isso já faz quatro anos e desde então passaram a ser ofertados pelo Câmpus, em parceria com a Cáritas Diocesana de Blumenau e prefeituras da região, o curso de Formação Inicial Continuada (FIC) de “Português e cultura brasileira para estrangeiros”. Mais do que propriamente ensinar o Português, a proposta do curso foi também apresentar um pouco do Brasil, de como funciona o sistema de saúde ou mesmo as leis trabalhistas.

 

 


O curso chamou a atenção de Louis Bethaillard que chegou ao Brasil em 2015. “Eu entrei no país pelo Acre como refugiado. Vim sozinho e cheguei a Blumenau. Comecei a aprender o Português observando as pessoas falarem na rua, assistindo TV e lendo para entender o ritmo das palavras. Mas foi a partir do curso que comecei a entender melhor o idioma, continuo fazendo o nível intermediário”, explica o imigrante que já fala o Português com uma certa fluência.


Louis veio para o Brasil procurando realizar um sonho, o de fazer Medicina. “É muito caro fazer o curso e eu não consegui apoio. Mas me inscrevi no curso de Biomedicina e já estou no segundo semestre. Trabalho em uma indústria em Pomerode. Até pensei em trazer minha família, mas não dá. Malmente, eu tenho para me manter.”


A partir da vinda de imigrantes, como Louis, para o Vale do Itajaí, o Câmpus Gaspar, passou também a pesquisar o perfil dos estrangeiros que procuram a região, entender as dificuldades sofridas e propor soluções que melhorem as condições de vida. Em uma dessas pesquisas, observou-se que muitos haitianos que vinham ao Brasil já tinham ensino superior, mas não conseguiam comprová-lo porque estavam sem documentação. As pesquisas realizadas pelo Câmpus também mostraram que o contexto de imigração na região não é único. “Se formos olhar Gaspar, Blumenau e Pomerode, observamos que em Pomerode as chances de empregabilidade dos haitianos é maior e que as condições de vida também são melhores. Muitos haitianos que vivem lá, já conseguiram adquirir alguns bens, como motos, e muitos estão trazendo suas famílias para virem morar no Brasil”, explica a diretora-geral do Câmpus Gaspar do IFSC, Ana Paula Kuczmynda da Silveira.


Há pesquisas também sobre as dificuldades enfrentadas pelos haitianos para aprender o Português e outras voltadas para pesquisar como a população local vê a chegada desse novo perfil de imigrantes para a região. “ “Nós temos observado que o Português é uma língua de acolhimento para os haitianos, que empodera e que o fato de não ter domínio dela exclui socialmente o haitiano. Com relação ao levantamento que fizemos nos meios de comunicação, o que nos chamou a atenção foi o preconceito expressado pelas pessoas, principalmente, nos comentários dessas matérias. As palavras utilizadas para se referir aos imigrantes buscam, na maioria das vezes, estigmatizá-los”, avalia o professor de Português do Câmpus Gaspar Luiz Herculano Guilherme.


O preconceito também é relatado pelo membro da Associação Brahaitianos Unidos Marckenson Simois. Ele falou sobre essas e outras questões como história do Haiti, sobre a língua criole, que é tratada como um símbolo de resistência, e sobre a influência de religiões como o vodu na cultura haitiana em uma roda de conversa, promovida pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) do Câmpus Gaspar no mês de maio . “ Eu tenho muito orgulho em falar do meu país. No Brasil, a gente percebe que muitas pessoas não conhecem o Haiti. Hoje uma das maiores dificuldades que enfrentamos é a falta de empregos para as mulheres haitianas. Muitas empresas têm vagas, mas não contratam mulheres haitianas.”

 

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