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Livro relata experiência de ensino de Matemática com mulheres em situação de vulnerabilidade social PDF Imprimir E-mail

Quando a professora do Câmpus Gaspar Vanessa Oeschler assumiu as aulas de “Linguagem e vivência matemática” no Programa Mulheres Mil, que atingia mulheres em situação de vulnerabilidade social, ela observou que além de trabalhar conceitos matemáticos com as alunas era preciso fazer com que o conhecimento garantisse melhores condições de vida como as que estavam estabelecidas pela ONU como Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). O desafio estava também em trabalhar para “acabar com a fome e a miséria”, promover “igualdade entre sexos e valorização da mulher” e “educação básica de qualidade”. Da experiência com as alunas ao longo do curso nos anos de 2013 e 2014, Vanessa escreveu, em coautoria com a professora da Furb Rosinéte Gaertner, o livro “Abordagens matemáticas no programa Mulheres Mil: os objetivos do milênio em foco”.

 


 

“A proposta do livro é dar subsídio na busca pelo alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, agora Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), e que este material possa servir de apoio a professores e gestores que trabalham com públicos em situação de vulnerabilidade social como o do Programa Mulheres Mil.”



Vanessa explica que o primeiro desafio nas aulas foi vencer o “medo da Matemática” que muitas delas tinham. “A turma era bastante heterogênea e a proposta foi valorizar o conhecimento prévio e mostrar como a Matemática poderia ajudá-las a pensar no orçamento doméstico. Observei que muitas delas nunca tinham usado uma calculadora e uma das primeiras aulas foi ensiná-las a usar o equipamento.”



Nas aulas, elas aprenderam também a calcular os juros embutidos em compras a prazo. “Eu pedi para que elas trouxessem folhetos de lojas em que tivesse o preço dos produtos à vista e parcelado e as ensinei a calcular os juros.”


A aula de fração foi feita através de receitas culinárias e a de geometria a partir de dobraduras. “Parte das aulas nós fazíamos no laboratório de Química cozinhando. Em uma receita de cupcake, por exemplo, é possível trabalhar a noção de proporção, multiplicação e divisão. Elas aprenderam também a calcular os custos da produção e de venda dos cupcakes. Muitas já faziam comidas para vender, mas tinham prejuízo porque não sabiam calcular os preços.”


Com os cupcakes que produziram, as alunas participaram de concursos culinários e feiras. “Foi importante observar que muitas relataram elevação de renda após o curso e muitas delas resolveram voltar a estudar, foram fazer cursos de Educação de Jovens e Adultos.”



O livro é resultado da pesquisa “A contribuição da matemática no alcance dos Objetivos do Milênio com relação às mulheres" que recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). A publicação está disponível on-line, para acessá-la clique aqui.




Por Beatrice Gonçalves / Jornalismo IFSC

 

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